Gozo a esplanada do Freixo
onde sacio a fome e sede,
mesmo ao lado da ponte guardiã;
nela passam objectos móveis
carregados de desejos
e também de ilusões;
para lá da ponte
um sol portentoso
reflecte-se nas águas do rio
criando um foco de luz imensa:
- o Douro ilumina e aquece
este momento de fim de tarde
de uma terça-feira
após tarefa clínica em Resende,
curta mas prazenteira!
Passa um barco
lotado de viajantes,
dali a poucos minutos
apenas um ponto restará
lá longe, no fim do rio,
que o sol ferindo os olhos
mal permite vislumbrar...
...Nesta atraente esplanada
disfruto a música de fundo
que continua suave,
mas bem batida,
contràriamente a meu coração,
que vou sentindo tranquilo,
com batimentos bradicárdicos!
...Observo um yate imóvel
um pouco à minha direita,
mas que em nada me seduz;
...Sobre a mesa de tampo negro
contrastando o branco das cadeiras,
esvazio paulatinamente
um copo de cerveja,
a que hoje não soube resistir!...
(Antonio Luíz, "Poesia pragmática: poemas de Vidas",
a editar ainda este ano ( 07-09-2010).
terça-feira, 7 de setembro de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
ENQUANTO ALMOÇO ( na Pizza Hut )
Vejo pessoas passando,
umas próximas conversando
outras mais longe sorrindo,
a vida flui, a paz impera;
vejo pessoas com cores vestidas,
belas, por vezes garridas,
que a vida não é bicolor,
nem eu desejo que o seja!...
Vejo pessoas que dançam
aqui na rua à minha frente,
ao som de bombo africano
que tanto me diz e alegra;
vejo aqui ao meu lado
criança feliz e bendita
pedindo ao pai "cavalitas",
que me comove e enternece.
...........................................
Olho de novo a rua
vejo pessoas normais,
sempre passando, vivendo,
tocando-se, ou de mãos dadas!...
..........................................
Tenho saudades das tuas,
que me deram amor, ternura,
e que das minhas tanto precisam
P´ra saciar a desventura!
(Antonio Luíz, 07-08-2010)
umas próximas conversando
outras mais longe sorrindo,
a vida flui, a paz impera;
vejo pessoas com cores vestidas,
belas, por vezes garridas,
que a vida não é bicolor,
nem eu desejo que o seja!...
Vejo pessoas que dançam
aqui na rua à minha frente,
ao som de bombo africano
que tanto me diz e alegra;
vejo aqui ao meu lado
criança feliz e bendita
pedindo ao pai "cavalitas",
que me comove e enternece.
...........................................
Olho de novo a rua
vejo pessoas normais,
sempre passando, vivendo,
tocando-se, ou de mãos dadas!...
..........................................
Tenho saudades das tuas,
que me deram amor, ternura,
e que das minhas tanto precisam
P´ra saciar a desventura!
(Antonio Luíz, 07-08-2010)
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Poema livre - poesia contemporânea
ENCRUZILHADA DE TEMPOS
Viajo na estrada,
ao volante da subconsciência,
viajo no meu tempo,
entro no meu Eu,
num lamaçal que me não larga,
mas não me imobiliza;
Aos olhos enevoados
assumem frias lágrimas,
entrelaçam-se pensamentos...
...mas naquela tarde que disseste?
- Que bebi um trago a mais por estar feliz?
...não, é óbvio que não foi!
- Ou por ser distraído?
...quero aceitar que não, ou talvez!
Mas em consequência da "injúria"
o que fizemos um ao outro?
Criamos enorme distância
derrubamos nossos muros de veludo!
Mas o que deveríamos dizer
ou já ter dito um ao outro?
Que por força da incompreensão
e da marginalidade de alguns
poderíamos beber um copo a mais,
todos os dias,
e deixar-nos fluir na solidão?!
Mas não, isso não,
produziria estígmas, maus sinais,
corroeria nossas aparências,
e apesar de ser óbvio e humano
de forma lúcida rejeitamos...
...Sigo a doutrina pragmática
que em boa verdade ensina,
que mais vale "in concreto" ser
que por falsa verdade parecer,
e sobretudo quando amamos!
(Antonio Luíz, 05-08-2010)
ao volante da subconsciência,
viajo no meu tempo,
entro no meu Eu,
num lamaçal que me não larga,
mas não me imobiliza;
Aos olhos enevoados
assumem frias lágrimas,
entrelaçam-se pensamentos...
...mas naquela tarde que disseste?
- Que bebi um trago a mais por estar feliz?
...não, é óbvio que não foi!
- Ou por ser distraído?
...quero aceitar que não, ou talvez!
Mas em consequência da "injúria"
o que fizemos um ao outro?
Criamos enorme distância
derrubamos nossos muros de veludo!
Mas o que deveríamos dizer
ou já ter dito um ao outro?
Que por força da incompreensão
e da marginalidade de alguns
poderíamos beber um copo a mais,
todos os dias,
e deixar-nos fluir na solidão?!
Mas não, isso não,
produziria estígmas, maus sinais,
corroeria nossas aparências,
e apesar de ser óbvio e humano
de forma lúcida rejeitamos...
...Sigo a doutrina pragmática
que em boa verdade ensina,
que mais vale "in concreto" ser
que por falsa verdade parecer,
e sobretudo quando amamos!
(Antonio Luíz, 05-08-2010)
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TURBULENCIA EM FIM DE FÉRIAS
De súbito, quando menos se esperava,
ao cabo de férias solarentas,
instalaram-se penumbras e sombras,
dos olhos brotaram cascatas de água,
abateu-se o silêncio, a desilusão
sobre nossas vidas,
sobre um grandioso sonho,
que se gorou esfumando-se
como um enorme transatlântico
desaparecendo lá longe no horizonte!...
...Há um vácuo, um estridente vazio,
um espaço turbulento sem nada,
em nosso quarto ainda ferve amôr
apenas de outrora;
mas hoje vingam invernos gélidos
de saudades, e vigoram sonhos
de mágoas cataclísmicas que doem e ferem
como pesadelos!...
...O silêncio extingue-se na nossa mudez,
vai-nos separando por demais;
entre nós há farrapos de lembranças
que tentam reagrupar-se
procurando recriar correntes
de espesso fio, ou corda ou aço;
- mas que importa?
Vencerão esta chuva tão ácida?
Resistirão por absurdo ao tempo,
enquanto um disforme transatlântico
De novo regresse
Repleto de ilusões,
ou de novas promessas de amor
a qualquer hora da madrugada?...
...Assustam-me tamanhas incertezas!...
( Antonio Luíz, o4-08-2010 )
ao cabo de férias solarentas,
instalaram-se penumbras e sombras,
dos olhos brotaram cascatas de água,
abateu-se o silêncio, a desilusão
sobre nossas vidas,
sobre um grandioso sonho,
que se gorou esfumando-se
como um enorme transatlântico
desaparecendo lá longe no horizonte!...
...Há um vácuo, um estridente vazio,
um espaço turbulento sem nada,
em nosso quarto ainda ferve amôr
apenas de outrora;
mas hoje vingam invernos gélidos
de saudades, e vigoram sonhos
de mágoas cataclísmicas que doem e ferem
como pesadelos!...
...O silêncio extingue-se na nossa mudez,
vai-nos separando por demais;
entre nós há farrapos de lembranças
que tentam reagrupar-se
procurando recriar correntes
de espesso fio, ou corda ou aço;
- mas que importa?
Vencerão esta chuva tão ácida?
Resistirão por absurdo ao tempo,
enquanto um disforme transatlântico
De novo regresse
Repleto de ilusões,
ou de novas promessas de amor
a qualquer hora da madrugada?...
...Assustam-me tamanhas incertezas!...
( Antonio Luíz, o4-08-2010 )
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
PENSAMENTOS FORÇADOS
I - Com decisão temporária:
" Autodemiti-me do amor,
porque há muito prometi fazer-te feliz,
e tu não o tens permitido".
II - Com decisão definitiva:
"Destruí em mim o amor,
porque acreditei que me farias feliz,
mas tu com ingénua teimosia
dilaceraste um coração por ti perdido".
III - Com ultradecisão (platónica):
"Apesar do amor ausente
serei à hora da morte um lutador,
invulgar combatente
para a génese de um amor eterno,
mas secretamente!"
(Antonio Luíz, 09-08-2010 -
in Poesia pragmática : poemas de Vidas , a publicar 2010).
" Autodemiti-me do amor,
porque há muito prometi fazer-te feliz,
e tu não o tens permitido".
II - Com decisão definitiva:
"Destruí em mim o amor,
porque acreditei que me farias feliz,
mas tu com ingénua teimosia
dilaceraste um coração por ti perdido".
III - Com ultradecisão (platónica):
"Apesar do amor ausente
serei à hora da morte um lutador,
invulgar combatente
para a génese de um amor eterno,
mas secretamente!"
(Antonio Luíz, 09-08-2010 -
in Poesia pragmática : poemas de Vidas , a publicar 2010).
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BEBER ( ou porque bebo )
Bebo consciente,
p'ra me libertar da solidão,
aquela que paira dentro de mim;
Bebo p'ra me sentir feliz,
ou porque me encontro feliz;
.............................................
bebo porque sou livre,
e nunca p´ra me apoderar da liberdade!
.............................................
bebo p'ra compreender o ser humano
que tanto me desilude,
bebo p'ra sentir de forma efémera
que o mundo afinal é feliz
e que ele permite por instantes
que meus sonhos sejam viáveis!
..........................................
mas bebo porque sou livre
nunca p'ra me apoderar da liberdade!
..........................................
bebo p'ra fugir à rotina
que me desnorteia e trucida,
mas não bebo por paixão
ou sequer por dependência;
Bebo por lúcido desafio
P´ra sentir que vale a pena a Vida;
bebo p'ra sentir que há um amigo
ao dobrar de cada esquina,
bebo p'ra mitigar a tristeza
e compensar a incredulidade,
o desamor e a frustração!
..................................
Mas juro que acima de tudo
bebo porque sou livre,
não p'ra me apoderar da liberdade
nem viver o desvario
de uma qualquer perversa emoção...
(António Luíz, in Poesia pragmática / Poemas de Vidas
- próxima publicação )
p'ra me libertar da solidão,
aquela que paira dentro de mim;
Bebo p'ra me sentir feliz,
ou porque me encontro feliz;
.............................................
bebo porque sou livre,
e nunca p´ra me apoderar da liberdade!
.............................................
bebo p'ra compreender o ser humano
que tanto me desilude,
bebo p'ra sentir de forma efémera
que o mundo afinal é feliz
e que ele permite por instantes
que meus sonhos sejam viáveis!
..........................................
mas bebo porque sou livre
nunca p'ra me apoderar da liberdade!
..........................................
bebo p'ra fugir à rotina
que me desnorteia e trucida,
mas não bebo por paixão
ou sequer por dependência;
Bebo por lúcido desafio
P´ra sentir que vale a pena a Vida;
bebo p'ra sentir que há um amigo
ao dobrar de cada esquina,
bebo p'ra mitigar a tristeza
e compensar a incredulidade,
o desamor e a frustração!
..................................
Mas juro que acima de tudo
bebo porque sou livre,
não p'ra me apoderar da liberdade
nem viver o desvario
de uma qualquer perversa emoção...
(António Luíz, in Poesia pragmática / Poemas de Vidas
- próxima publicação )
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terça-feira, 1 de setembro de 2009
LINDO DOURO, MÁS LEMBRANÇAS
Entardecer...
pôr-do-sol no Douro,
quão perfeito casamento
alicerçado em quietude,
beleza, e tanta harmonia,
apesar da aspereza d' escarpas,
de rochedos imponentes,
e frondosas clareiras a montante,
que vão escapando a tanto desacato
e ilicitudes ecológicas!
...Já ninguém se esforça em lembrar
que a juzante
célebre ponte tombou,
ruindo ao peso de crueis
e de tamanhas irresponsabilidades
de cariz humano,
que sobre ela não estavam
naquela noite fatídica,
de chuvoso e turbulento,
mas acima de tudo traiçoeiro inverno!
Sobre a ponte não se achavam
dispositivos mecânicos ou mãos assassinas,
e o lindo Douro não fez justiça,
antes acolheu desalmadamente
tantas Vidas ingénuas e inocentes!
Douro pérfido, Douro carrasco,
sentirás tu a grande culpa?
Ou surgirá um dia outro culpado?
É certo que más lembranças
perturbam tua paz e toda a harmonia
deste tão deslumbrante entardecer!
( António Luíz , Agosto-2009 . Durante viagem de regresso ao Porto,
entre Resende e Entre-os-Rios).
pôr-do-sol no Douro,
quão perfeito casamento
alicerçado em quietude,
beleza, e tanta harmonia,
apesar da aspereza d' escarpas,
de rochedos imponentes,
e frondosas clareiras a montante,
que vão escapando a tanto desacato
e ilicitudes ecológicas!
...Já ninguém se esforça em lembrar
que a juzante
célebre ponte tombou,
ruindo ao peso de crueis
e de tamanhas irresponsabilidades
de cariz humano,
que sobre ela não estavam
naquela noite fatídica,
de chuvoso e turbulento,
mas acima de tudo traiçoeiro inverno!
Sobre a ponte não se achavam
dispositivos mecânicos ou mãos assassinas,
e o lindo Douro não fez justiça,
antes acolheu desalmadamente
tantas Vidas ingénuas e inocentes!
Douro pérfido, Douro carrasco,
sentirás tu a grande culpa?
Ou surgirá um dia outro culpado?
É certo que más lembranças
perturbam tua paz e toda a harmonia
deste tão deslumbrante entardecer!
( António Luíz , Agosto-2009 . Durante viagem de regresso ao Porto,
entre Resende e Entre-os-Rios).
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