Corre rio corre,
corre desenfreado,
a brutal enxurrada
descaracterizou-te,
embruteceu-te;
Levas vidas que afogas
diabolicamente,
porque tudo inundas
além do teu leito que te não basta!
......................
Fustígas-nos a alma
submissa e impotente,
enquanto olhamos a TV,
visualizando dramáticos confrontos
entre a morte e a vida
de seres vivos despojados,
trucidados
mas sobretudo inocentes!
.......................
Dás crédito à revolta da natureza,
à força incomensurável
dum Planeta bom
que nos acolheu,
mas hoje tristemente abandonado à sua sorte
por culpa de humanos indígnos,
tresloucados,
não merecedores da cohabitação.
Corre rio corre,
corre desesperado,
porque em teu feroz seio
também levas os gritos e lágrimas
dum Planeta que chora
inexoravelmente a sua desdita!...
(Antonio Luíz, 20-01-2011)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
TERMINAL DE DESILUSÃO
Afundo-me na tristeza,
sem as lágrimas convulsivas de outrora,
mas compulsivamente irrascível;
nada mais vale a pena,
não interessa sequer avaliar
porque se demoliu o amôr,
ou porque se esfumou a paixão!
...o fulgor do sol também se esvai,
e o vento ora sopra de rompante
outras vezes porém tão meigo é,
apaziguador, e tão refrescante!
.............................
Hoje, o dilúvio assassino
perturba a doce paz da foz
do meu rio de encantos!...
(António Luíz: Amarante, 13-01-2011 )
sem as lágrimas convulsivas de outrora,
mas compulsivamente irrascível;
nada mais vale a pena,
não interessa sequer avaliar
porque se demoliu o amôr,
ou porque se esfumou a paixão!
...o fulgor do sol também se esvai,
e o vento ora sopra de rompante
outras vezes porém tão meigo é,
apaziguador, e tão refrescante!
.............................
Hoje, o dilúvio assassino
perturba a doce paz da foz
do meu rio de encantos!...
(António Luíz: Amarante, 13-01-2011 )
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Poema livre - poesia contemporânea
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
INSONIA DE AVÔ
Pelas cinco horas da madrugada
abordam-me as saudades de Ti,
culpado é o teu maravilhoso sorriso
e a paz com que me premeias
quando Te olho
e Te aconchego em meu colo!
A alegria de uma esfusiante vida
preenche-Te o presente,
electrisa todos os nossos sentidos,
e põe meus sentimentos à flor da pele,
contagiando meus espaços cerebrais
meio adormecidos,
tranquilizando toda a minha irreverência.
És o engodo há tanto esperado
para o anzol inerte das nossas vidas,
e assim voltou a jovialidade,
a enorme ternura que nos alenta,
e um eterno romance de amôr
que fervilha e tanto nos acalenta.
Vives afincadamente teus oito meses,
já gatinhas determinada
e com invulgar dinâmica e estética;
ràpidamente a marcha chegará
e virão algumas quedas sem rede
que demasiado sobressalto criarão!
Num futuro breve balbuciarás
as primeiras palavras e as mais queridas,
e um pouco mais tardiamente
a escola contigo partilhará
os primeiros encontros e desencontros,
e aprenderás por certo a louvar a Vida!
Por ora apenas Te vou observando
embebecido pela mais doce ternura,
petrificado por tamanho encanto:
- és a magia da natureza humana!
Vive como um alevim o Teu presente
no recôndito mar sempre contente;
breve o futuro se porá em teu caminho
e serás ave, mulher-guerreira, toda carinho!
( Poema dedicado a minha neta Sofia, 03-11-2010)
António Luíz, in "Poesia pragmática: Poemas de Vidas",
a publicar em 2010/2011 ).
abordam-me as saudades de Ti,
culpado é o teu maravilhoso sorriso
e a paz com que me premeias
quando Te olho
e Te aconchego em meu colo!
A alegria de uma esfusiante vida
preenche-Te o presente,
electrisa todos os nossos sentidos,
e põe meus sentimentos à flor da pele,
contagiando meus espaços cerebrais
meio adormecidos,
tranquilizando toda a minha irreverência.
És o engodo há tanto esperado
para o anzol inerte das nossas vidas,
e assim voltou a jovialidade,
a enorme ternura que nos alenta,
e um eterno romance de amôr
que fervilha e tanto nos acalenta.
Vives afincadamente teus oito meses,
já gatinhas determinada
e com invulgar dinâmica e estética;
ràpidamente a marcha chegará
e virão algumas quedas sem rede
que demasiado sobressalto criarão!
Num futuro breve balbuciarás
as primeiras palavras e as mais queridas,
e um pouco mais tardiamente
a escola contigo partilhará
os primeiros encontros e desencontros,
e aprenderás por certo a louvar a Vida!
Por ora apenas Te vou observando
embebecido pela mais doce ternura,
petrificado por tamanho encanto:
- és a magia da natureza humana!
Vive como um alevim o Teu presente
no recôndito mar sempre contente;
breve o futuro se porá em teu caminho
e serás ave, mulher-guerreira, toda carinho!
( Poema dedicado a minha neta Sofia, 03-11-2010)
António Luíz, in "Poesia pragmática: Poemas de Vidas",
a publicar em 2010/2011 ).
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
FIM DA ILUSÃO
A morte acontecera e
na Eucaristia de corpo presente
faz-se o prelúdio
(com sons de violino pungente),
da entrega à terra do corpo e da alma
já sucumbidos, já sem ilusão.
Após 23 anos de sofrimento
em quase total alectuamento
pós acidente trombótico cerebral...
...acabára-se a ilusão!
...............................
Agora, a fatal dicotomia fragmentária:
- o corpo descerá à terra
e a alma voará para a vida eterna!
...............................
Talvez que para os eleitos
a ilusão não termine naquele momento
mas por certo longinquamente,
pois que a morte à vida pertence
e esta se comporta ad eternum
como doença assaz incurável
que um dia a própria morte vencerá.
Obviamente que a esta condenação
jamais alguém fugirá!
...............................
Aceitemos pois sem alternativa
que não há mais ilusões
além da fatídica morte.
Homenageemos capazmente a vida
- e assim se fez naquela noite -
se quisermos adiar
em total consciência
o fim da nossa vital ilusão!
( Antonio Luíz, Outubro-2010 ;
in "Poesia pragmática: poemas de vidas", a editar em 2010/2011)
na Eucaristia de corpo presente
faz-se o prelúdio
(com sons de violino pungente),
da entrega à terra do corpo e da alma
já sucumbidos, já sem ilusão.
Após 23 anos de sofrimento
em quase total alectuamento
pós acidente trombótico cerebral...
...acabára-se a ilusão!
...............................
Agora, a fatal dicotomia fragmentária:
- o corpo descerá à terra
e a alma voará para a vida eterna!
...............................
Talvez que para os eleitos
a ilusão não termine naquele momento
mas por certo longinquamente,
pois que a morte à vida pertence
e esta se comporta ad eternum
como doença assaz incurável
que um dia a própria morte vencerá.
Obviamente que a esta condenação
jamais alguém fugirá!
...............................
Aceitemos pois sem alternativa
que não há mais ilusões
além da fatídica morte.
Homenageemos capazmente a vida
- e assim se fez naquela noite -
se quisermos adiar
em total consciência
o fim da nossa vital ilusão!
( Antonio Luíz, Outubro-2010 ;
in "Poesia pragmática: poemas de vidas", a editar em 2010/2011)
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
REPOUSO NO CAIS DO FREIXO
Gozo a esplanada do Freixo
onde sacio fome e sede,
mesmo ao lado da ponte guardiã;
nela passam objectos móveis
carregados de desejos
e também de ilusões...
..........................
Para lá da ponte
um sol portentoso
reflecte-se nas águas do rio,
criando foco de luz imensa:
- o Douro ilumina e aquece
este momento de fim de tarde
de uma terça feira,
após tarefa clínica em Resende,
curta mas assaz prazenteira;
Passa um barco
lotado de viajantes,
e dali a pouco
no frenesim do lanche retemperador,
apenas resta um ponto
lá longe, no fim do rio
que o sol ferindo os olhos
mal permite disfrutar!
.............................
Nesta atraente esplanada
a música de fundo continua
suave, mas bem batida,
contrariamente a meu coração
tranquilo, bradicárdico...
Observo um yate imóvel
um pouco à minha direita
mas que em nada me seduz;
...sobre moderna mesa
de tampo negro,
contrastando o branco das cadeiras,
esvazio paulatinamente
um copo de cerveja
a que hoje não soube resistir!
(Antonio Luíz, 07-09-2010 )
onde sacio fome e sede,
mesmo ao lado da ponte guardiã;
nela passam objectos móveis
carregados de desejos
e também de ilusões...
..........................
Para lá da ponte
um sol portentoso
reflecte-se nas águas do rio,
criando foco de luz imensa:
- o Douro ilumina e aquece
este momento de fim de tarde
de uma terça feira,
após tarefa clínica em Resende,
curta mas assaz prazenteira;
Passa um barco
lotado de viajantes,
e dali a pouco
no frenesim do lanche retemperador,
apenas resta um ponto
lá longe, no fim do rio
que o sol ferindo os olhos
mal permite disfrutar!
.............................
Nesta atraente esplanada
a música de fundo continua
suave, mas bem batida,
contrariamente a meu coração
tranquilo, bradicárdico...
Observo um yate imóvel
um pouco à minha direita
mas que em nada me seduz;
...sobre moderna mesa
de tampo negro,
contrastando o branco das cadeiras,
esvazio paulatinamente
um copo de cerveja
a que hoje não soube resistir!
(Antonio Luíz, 07-09-2010 )
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
CAOS

C A O S
( A propósito duma pintura de Raul Cardoso )
Em plataforma distal
deste intenso e sublime status,
existe hirto um vulto
estupefacto e passivo,
mantendo cordão umbilical
a tão possante mas aprazível
emaranhado de traços e cores;
Mas a harmonia cola-nos à tela....
Sigo linhas curvas e rectas,
espaços variegados com surdas vidas
aglomeradas, que gemem,
na lufa-lufa do ditame quotidiano,
espremidas na pressão dos desejos
e anseios em auto-desespero;
outros espaços não enxergo
mas sinto-os no âmago dos pincéis
e onde capto pensamentos velozes
em busca de libertação,
tentando a fuga às convulsões febris
de uma luta vital diária,
quantas vezes crispada e desumana,
que fatalmente nos distanciam
do humanismo e da glória,
mergulhando-nos
e sucumbindo-nos na auto-exortação
que tolamente nos empurra
para a vaidade e autodestruição!
Há quadrados triangulóides
e triângulos quase quadriformes,
mas também vejo formas losângicas
com cores de anjo, e também de luto!
Nesta amalgama de conflito e ilusão,
vejo barcos de rio, e talvez navios
a quererem in extremis cruzar
Louca e teimosamente
águas revoltas de outros mares.....
Fantasio aeronaves,
seguramente um dirigível
aguardando movimento proximal,
para fuga talvez tresloucada
a tão consciente imobilidade....
Não vislumbro traços de animais
ou sequer sinais divinos;
Quando o Caos assim nos domina,
temos ali as cores da esperança
e dum fluxo vivo e arrojado,
colorido de particulas de arco-íris
que se adivinha ou
se deseja ver nesta cativante tela
Que nos alimenta os sentidos
e nos afeiçoará às batalhas humanas,
em busca do equilíbrio emocional
mesmo que imperceptível
por detrás de tão pedagógico Caos!
( Antonio Luíz, in “ Poesia pragmática: poemas de Vidas” - a editar em 2010/11
escrito em 17-09-2010 )
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
À BEIRA DOURO
Gozo a esplanada do Freixo
onde sacio a fome e sede,
mesmo ao lado da ponte guardiã;
nela passam objectos móveis
carregados de desejos
e também de ilusões;
para lá da ponte
um sol portentoso
reflecte-se nas águas do rio
criando um foco de luz imensa:
- o Douro ilumina e aquece
este momento de fim de tarde
de uma terça-feira
após tarefa clínica em Resende,
curta mas prazenteira!
Passa um barco
lotado de viajantes,
dali a poucos minutos
apenas um ponto restará
lá longe, no fim do rio,
que o sol ferindo os olhos
mal permite vislumbrar...
...Nesta atraente esplanada
disfruto a música de fundo
que continua suave,
mas bem batida,
contràriamente a meu coração,
que vou sentindo tranquilo,
com batimentos bradicárdicos!
...Observo um yate imóvel
um pouco à minha direita,
mas que em nada me seduz;
...Sobre a mesa de tampo negro
contrastando o branco das cadeiras,
esvazio paulatinamente
um copo de cerveja,
a que hoje não soube resistir!...
(Antonio Luíz, "Poesia pragmática: poemas de Vidas",
a editar ainda este ano ( 07-09-2010).
onde sacio a fome e sede,
mesmo ao lado da ponte guardiã;
nela passam objectos móveis
carregados de desejos
e também de ilusões;
para lá da ponte
um sol portentoso
reflecte-se nas águas do rio
criando um foco de luz imensa:
- o Douro ilumina e aquece
este momento de fim de tarde
de uma terça-feira
após tarefa clínica em Resende,
curta mas prazenteira!
Passa um barco
lotado de viajantes,
dali a poucos minutos
apenas um ponto restará
lá longe, no fim do rio,
que o sol ferindo os olhos
mal permite vislumbrar...
...Nesta atraente esplanada
disfruto a música de fundo
que continua suave,
mas bem batida,
contràriamente a meu coração,
que vou sentindo tranquilo,
com batimentos bradicárdicos!
...Observo um yate imóvel
um pouco à minha direita,
mas que em nada me seduz;
...Sobre a mesa de tampo negro
contrastando o branco das cadeiras,
esvazio paulatinamente
um copo de cerveja,
a que hoje não soube resistir!...
(Antonio Luíz, "Poesia pragmática: poemas de Vidas",
a editar ainda este ano ( 07-09-2010).
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